Hoje é o DIA MUNDIAL do BOMBEIRO. Palmas ao verdadeiro BOMBEIRO.
É o dia 28 de Maio.
É curioso que o mês de Maio começa com um dia festivo do trabalhador (atrevo-me a dizer um dia de festa da esquerda) e tem este dia 28 que é um dia dos saudosistas de direita. E o que sucedeu depois da Revolução dos Cravos? As ruas, os pavilhões, os estádios, tudo que adormeceu com o nome de 28 de Maio acordou a chamar-se 1º de Maio. Como se alguma coisa tivesse mudado.
Lá fora morria, ao fim de pouco mais de 2 meses do ano de 1871, a chamada “Comuna de Paris”. Reparem só que ainda havia Czares na Rússia e já havia a “Comuna de Paris” cá no ocidente. Já tinham pensado nisto?
Os lisboetas tiveram duas inaugurações neste dia, pois em 1884 abria ao público um lugar imortalizado pelo magnifico Vasco Santana com o seu “oh, seu palerma…chapéus há muitos” e pelo tratamento dos animais: O Jardim Zoológico de Lisboa, e no ano de 1903 passaram a ter Iluminação Eléctrica. Passados estes anos todos ainda devem estar em choque os lisboetas…porque os verdadeiros iluminados neste país nunca, ou quase nunca, estão lá.
Foi no 28 de Maio que o FC Porto inaugurou o seu Estádio das Antas, hoje já demolido, e no seu dia de festa ainda era amigo do Benfica a quem convidou para o primeiro jogo e os lisboetas não foram nada simpáticos e ganharam por 2-8. E este Estádio, que trouxe tantas glórias aos adeptos portuenses, trouxe para mim uma grande alegria: o meu glorioso Leixões ganhou lá a sua única Taça de Portugal em 09 de Julho de 1960 vencendo por 0-2 os donos do Estádio.
Mas este dia 28 de Maio tem um significado importante para a história de Portugal de sempre, mas em especial para a do século XX. De facto, o século XX começou com uma Monarquia em ruínas a capitular perante uma Revolução do 05 de Outubro de 1910 mas os governantes da primeira quinzena de anos dessa 1ª República não estiveram à altura das necessidades patrióticas do País e, de golpe de estado em golpe de estado, e de derrubes sucessivos de governos, acabaram por ver um grupo de militares comandados, desde Braga até Lisboa, pelo General Gomes da Costa apoiado nos Generais Mendes Cabeçadas e Oscar Carmona tomar conta do poder naquele que seria o ponto de partida para a governação opressiva do Estado Novo que durou 48 anos e foi intitulada de 2ª República, e em que a figura de proa foi o António de Oliveira Salazar. Foi um homem controverso que entrou para um governo pela pasta das finanças, onde foi exímio, e em muito pouco tempo chegou a Primeiro Ministro e nunca deixou de se ver na sua liderança que era monárquico, e tinha simpatia pelas politicas alemãs e italianas. Como estudante universitário recebi a notícia da queda da cadeira e como aspirante a oficial miliciano escapei à presença no seu funeral.
Uma nota especial: devia falar só da data “28 de Maio” mas como o Salazar não fez parte do golpe de estado a informação ficaria correcta, mas, no entanto, “incompleta” porque se não aparecesse o Salazar talvez o 28 de Maio fosse mais um golpe da 1ª República e acabaria misturado com os outros golpes todos. Isto é uma leitura muito pessoal, desculpem.