Quando chegamos ao dia 27 de Maio festejamos o DIA MUNDIAL DOS VIZINHOS.
È giro eu disse festejar…e seria tão bom que assim fosse no geral mas…a sociedade evoluiu. Quando eu era jovem toda a gente da minha rua era vizinha uma da outra, mesmo que morasse a cem ou mais metros e da Rua Alfredo Cunha que era a “Rua do Hospital” (não havia Pedro Hispano) tive e ainda tenho bons amigos, mas a maioria já está do outro lado à espera dos que ainda cá estão. E como é hoje? Com “contentores ao alto” quantos vizinhos que entram pela mesma entrada conheces? E desses com quantos festejas? Se calhar deveria retirar a palavra “festejamos” e colocar a palavra “cumpre-se” o DIA MUNDIAL DOS VIZINHOS.
As artes literárias portuguesas ganharam em 1862 um vulto que foi o diplomata que levou a que os grandes países europeus reconhecessem Portugal com Republica e que chegou a Presidente da Republica em 1923 para, dada a confusão social, resolver demitir-se do cargo em 1925 e parte para um exílio voluntário na Argélia onde dá largas à sua veia literária, escrevendo Sabina Freire, antes de ser PR e Novelas Eróticas já no exilio entre muita outra obra. Era algarvio e chamava-se Manuel Teixeira Gomes.
Mas perderam dois vultos importantes. Em 1963 morreu o visiense Aquilino Ribeiro um escritor com uma vastíssima obra em que usou palavras que nunca ninguém antes ouvira falar mas trabalhando a Língua Portuguesa com uma maestria excepcional. Quem nunca ouviu falar do “Malhadinhas”, ou “Quando os Lobos Uivam” ou “A Grande Casa de Romarigães” que Salazar apreendeu logo à saída do prelo?
E o terceiro vulto literário morreu em 2004 e era um escritor, politico, ensaísta, diplomata, professor universitário e chegou a ser Ministro da Educação entre 1983 e 1985 depois de ter sido um exilado que se doutorou em França pela mão de Roland Barthes com uma tese sobre Fernando Pessoa. Foi o social democrata (nem todos os exilados do Estado Novo eram socialistas ou comunistas) José Augusto Seabra.
Juary acabou o que o calcanhar do Madjer tinha começado e o Artur Jorge tornou-se o 1º treinador português a ganhar a Taça dos Campeões, em 1987 na bela cidade da música, Viena de Áustria levando o FC Porto a festejar a primeira de muitas taças internacionais.
No campo internacional umas passagens. Em 1877 nascia uma lenda norte-americana da dança que atingiu na Europa um enorme prestígio não só como bailarina mas também como coreógrafa, chamava-se Isadora Duncan e morreu tragicamente quando foi asfixiada por uma echarpe que se prendeu numa roda do carro descapotável em que viajava.
Em 1923 nasceu uma figura impar da política mundial da 2ª metade do século XX, o americano Henry Kissinger.
Ontem falei que tinha sido banido pela Igreja Católica o Martinho Lutero e hoje foi em 1564 o dia da morte de outro católico reformista que também havia sido excluído por fazer uma reforma protestante a que se chamaram Calvinismo.
Termino com a morte em 1964 de um pacifista que teve a honra de ser o 1º primeiro ministro da Índia independente o Jawaharmal Pandita Nerhu. A classificação de pacifista advem-lhe de ter fundado e presidido a um grupo muito numeroso de países que não se alinhavam com os EUA e com a Rússia. Era o grupo dos “Países Não-Alinhados” que com o apoio do Marechal Tito e outros, durante muitos anos se interpôs na guerra fria. Um episódio na nossa história foi que este Pandita Nerhu depois de nos anos 50 querer negociar a integração de Goa, Damão e Diu no território indiano o que Salazar recusou, resolveu em 1961 tomar pelo poder militar aqueles espaços, fazendo depois o Salazar aquela figura ridícula de “chamar de cobardes” os nossos militares castigando-os no seu regresso depois de algum tempo prisioneiros.
Agora um pequeno apontamento relacionado com isto e com o pacifismo de Nerhu;
Estudava eu no Porto com os meus 15 anos e assisti a uma manifestação organizada pelo Estado Novo e nunca mais esqueci de um cartaz que uma estudante universitária carregava e que dizia assim:
NEHRU TU QUE FOSTE O PAI DA PAZ, PORQUE ÉS AGORA UM GRANDE FILHO DA…LUTA?