50 ANOS – 13 de ABRIL de 1976

50 ANOS – 13 de ABRIL de 1976

Eu já tive, há dois anos, uma alegre memória para comemorar 50 anos e assinalei-a chamando-lhe pomposamente “bodas de ouro” do meu feliz casamento. Hoje por incrível que pareça venho trazer uma memória que não sendo alegre também não é triste: faz hoje 50 anos que falei e ouvi pela última vez a voz do meu PAI. E falar e ouvir  o meu Pai foi uma fortíssima parte daquilo que sou hoje. Não era nenhum intelectual mas deixou-me impregnado o gosto pelos jornais, uma extensa biblioteca, pelo conhecimento, com um tracto educado e a simplicidade de viver em família. Nasceu numa aldeia duriense e veio jovem para a voracidade do Porto até assentar aos 41 anos em Matosinhos onde se integrou com relativa facilidade e constituiu família. Quando isto acontece sente-se nostalgia, vêm-nos recordações, sente-se “a agradável presença”. Ao publicar esta memória estou enviar-lhe os meus agradecimentos pelo que me formatou e me deixou em herança moral. Até um dia, Ernesto Reis.

Mas para que o dia 13 de Abril seja também especial para Ele houve algumas celebridades que escolheram este dia para fazer a mesma viagem e vou anunciar alguns. La Fontaine, o francês das fábulas que eu espero ler à minha nova neta, um dia partiu em 1695 e, na senda dos livros, no ano passado o Nobel da Literatura (2010) peruano, Mario Vargas Llosa, deixou de vez “A Cidade e os Cães” e a autora de um dos livros mais conhecidos em Portugal, “O Livro de Pantagruel”, que além de cozinheira era também cantora lírica, Berta Rosa Limpo, deixou de cantar, cozinhar e escrever em 1981. Mas o Nobel da Literatura (!999) o alemão Günter Grass também partiu neste dia de 2015 e o ramalhete dos que partiram neste dia não fica por aqui porque a Mary Quant criadora da moda da “minissaia” e dos “calções curtos” foi-se embora em 2023, o checo Milos Forman responsável pelo filme “Amadeus” em 2018 foi “Voando Sobre um Ninho de Cucos” e não voltou. E quem se lembra de D. António Ferreira Gomes o bispo perseguido e exilado mas que voltou à sua Diocese do Porto também se recolheu de vez em 1989. 

Para não ser só obituário três coisas que nasceram: em 1846 o Teatro D. Maria II idealizado pelo Almeida Garrett foi inaugurado, em 1870 em Nova York foi inaugurado o Metropolitan Museum of Art e em 1906 nasceu o irlandês Nobel da Literatura (1969) Samuel Becket que dizem ficou “À Espera de Godot” sua grande peça de teatro.