A PROPÓSITO DE UM DOS SANTOS DO DIA 24 DE MARÇO
Hoje a Igreja Católica celebra SÃO ÓSCAR ROMERO, um mártir sacrificado no exercício da sua missão ao celebrar a eucaristia dominical na capela de um hospital onde, no altar, foi atingido a tiro por alguém que fugiu. Isto foi na capital do seu país, El Salvador, e passam hoje 45 anos. É portanto um Santo meu contemporâneo que foi beatificado e canonizado por outro latino-americano que já partiu: o Papa Francisco. Faz falta à Igreja.
Mas este dia, em diversos anos, fez desaparecer para outras paragens que não sabemos como são, algumas pessoas de quem vou dar o nome. Começo por um conterrâneo ligado à cultura como promotor de atividades literárias, o matosinhense Francisco Guedes (de Carvalho) que partiu bruscamente há um ano. Mas na cultura, desta vez musical, também saiu de cena um dos melhores regentes portugueses, Pedro Freitas Branco que faleceu em 1963. E porque não, voltar a mais uma perda cultural na literatura lembrando que em 1905 depois de tantas viagens como a ida à lua ou à volta do mundo em 80 dias etc. fez a sua última viagem o francês Júlio Verne. E, se considerarmos a nota artística que teve na sua profissão, também poderemos chamar como homem de grande cultura – desportiva – o holandês da celebre equipa “laranja mecânica” que deu um chuto na vida terrena em 2016, o Johan Cruyff. O grande militar da II guerra mundial que despachou o “Afrika Corps” do alemão Eric Rommel com o oitavo batalhão conhecido como “Ratos do Deserto” foi o Marechal B. L. Montgomery que perdeu a batalha da vida em 1976. E o co-fundador em 1945 do Partido Trabalhista (sabiam que tivemos um P. Trabalhista no tempo de Salazar?) chegou a Presidente da Assembleia da República em liberdade, o beirão Teófilo Carvalho dos Santos deixou-nos em 1986. E esta mortandade do dia 24 de Março vai terminar como começou: na Igreja Católica com a despedida do Cardeal Patriarca em 1998 e que se chamou D. António Ribeiro, um homem pouco valorizado apesar de ter de substituir um aliado de Salazar e de ter enfrentado os problemas que a Revolução dos Cravos trouxe à Igreja Católica Portuguesa. E agora para não ser só um obituário aqui vão coisas boas. Em 1882 Robert Koch anunciou que isolou e cultivou o bacilo da tuberculose, que ainda não está irradicada mas felizmente está sob algum controle e já tem cura. E em 1993 aparece nas bancas a revista “Visão” pela mão de jornalistas “autênticos” mas que infelizmente está a caminho de desaparecer por problemas de má gestão económica. E acabo em 2006 ano em que, finalmente, os homossexuais passaram a ter em Portugal o direito a serem dadores de sangue.