Pouco depois de ter vindo ao mundo no pós-guerra eu comecei a ter contacto com as letras e as palavras através dos jornais, mais propriamente “O Comércio do Porto” e assim quando cheguei à Escola Primária (não havia pré-escolar e quase nada se aprendia nas poucas creches que existiam) eu já sabia ler (felicidade de ter uma boa família). Depois apareceram o “Republica” e o “O Primeiro de Janeiro” no meu percurso até que, a seguir à minha mudança para casa própria, comecei a usar o “JN” até aos dias de hoje e a par destes como gosto muito de desporto (não é só futebol, é mesmo desporto) em tempos idos o “Norte Desportivo”, o Mundo Desportivo” e claro “A Bola”. E depois de desfilar estes periódicos entre tantos que também li acrescento que fui assinante do “Matosinhos Hoje” até ao seu lamentável fim. E claro está que devem calcular que o JORNALISTA para mim escrevia-se com letra maiúscula e mesmo sem cursos de faculdades atingiam um nível muito elevado e eram eles que formavam os seus estagiários e os transformavam em bons profissionais também. Que saudades deste lote de profissionais. Depois vieram as Universidades a formar jornalistas e vieram os senhores do dinheiro a comprar os jornais, as rádios e as televisões e o “senhor marketing” e também alguns (eu diria, demasiados) senhores que “opinam” sobre tudo e sobre nada mas que enchem os seus bolsos por “produzirem palavras”. E o que acontece hoje em grande parte da comunicação social? Se não vende jornal ou publicidade não entra dinheiro e não há vencimentos dignos e…etc. O critério é medido pelas vendas e para vender é preciso sensacionalismo, agressividade, acidentes, desastres, catástrofes e sangue e com o lado mau do ser humano, seja ele depravado, corrupto, traidor, isto para não falar no “vasculhar” a vida íntima e profissional de cada cidadão seja homem ou mulher. Para algumas pessoas do meio são autenticas medalhas de ouro olímpico. Pois bem, posso ser considerado conservador ou até bota de elástico mas hoje um bom JORNALISTA é a excepção que confirma a regra. E aqui vem a transcrição do que disse o Papa Francisco como lema para o Dia Mundial da Comunicação Social de 2025 e que foi baseada na outra expressão que vem da Carta de S. Paulo e que também transcrevo:
“É, então, necessário desarmar a comunicação, purificá-la da agressão. Dos talk shows televisivos às guerras verbais nas redes sociais, o paradigma que corre o risco de prevalecer é o da competição, da oposição e do desejo de dominar”.
“Partilhai com mansidão a esperança que está nos vossos corações.” (1ª Carta de S. Paulo).