MAIS DO MESMO

47 ANOS DE INTERVALO

Vamos contar uma história de 1975, altura conotada com o PREC em Portugal.

Uma multinacional foi apanhada a meio de um projecto, iniciado antes da Revolução dos Cravos, de mudança de instalações para um concelho vizinho e, naturalmente, a sua estratégia teve de ser alterada porque as premissas do antes e do depois de  25 de Abril de 1974 quanto aos direitos dos trabalhadores eram incomparavelmente diferentes. A multinacional ofereceu o transporte a partir do local inicial até ao novo local. Mas…o trabalhador teve que se apresentar no local de partida mais cedo e no local de regresso a casa chegava mais tarde por causa dos horários dos turnos e isso dava direitos, como é lógico. Pois bem reuniu-se a Comissão de Trabalhadores e o que aprovou para os trabalhadores deslocados (os que entrassem a seguir já sabiam as condições e não teriam direito a esse benefício) foi que se pedisse à Administração uma remuneração VITALÍCIA de “X” percentagem(não sei se 5 ou 10%)  a título de compensação. A proposta foi apresentada à Administração que por sua vez apresentou uma contraproposta e para discutir o assunto foi marcado um plenário de trabalhadores com a presença de elementos da Administração. Resultado do plenário: foi aprovada por GRANDE maioria a proposta da Administração. Vejam só, em pleno PREC uma proposta da Administração derrotou por “uma abada” a proposta sindical. E cumpriu-se o aprovado. A Comissão de Trabalhadores demitiu-se e foram feitas eleições para uma nova Comissão. Passados dias, com tudo consumado, numa conversa informal com um elemento da Comissão de Trabalhadores os dois principais elementos da Administração disseram mais ao menos isto: “a proposta da CT é a mais inteligente e que mais beneficia os trabalhadores mas a nossa experiência diz-nos que conhecemos o grau de cultura dos nossos trabalhadores e assim a empresa fica livre de um encargo vitalício. Parabéns pelo v/trabalho apesar de terem perdido”. E qual foi a proposta da Administração? A Empresa pagou de “UMA VEZ SÓ” dois ordenados a todos os trabalhadores (incluindo os diretores e os Administradores). E concluíram os ditos Administradores a finalizar a conversa com o elemento da CT “amanhã vão comprar uma mota, ou um frigorifico ou uma televisão novos, ou um vestido da comunhão para a filha, etc. etc. e isto é que é importante para eles”. 

Vil dinheiro que tira o raciocínio à massa popular que se deixa manipular pelo cheiro a dinheiro fresco em vez de exigir reformas estruturais de fundo para terem menos altos e baixos constantes que não dão estabilidade a ninguém e dão cabo da saúde mental de muita gente que passam horas e dias a contar os cêntimos que ainda têm ou até que já não têm e o mês ainda não acabou. (neste parágrafo poupei em vírgulas).

A história acima é real e se nestes dois últimos dias vos lembrar alguma coisa NÃO SERÁ pura coincidência.

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