BICICLETA de corrida

BICICLETA

A palavra “BICICLETA” é um substantivo do género masculino, mas se dissermos que é um “BICICLO” (comparando com o “TRICICLO”) já é um substantivo masculino sem ter sido sujeita a nenhuma cirurgia ou a tomar hormonas para mudar de “Género”. E isto vem a propósito de eu gostar muito de ciclismo desportivo (que achavam se dissesse antes “biciclismo”?) e achar que este desporto talvez não seja machista mas a comunicação social deixa muito a desejar neste capítulo. Mas vejamos porquê.

A “Volta à Itália” (feminino) conhecida por “Il Giro” (masculino) foi ganha em 2022 pelo australiano Jay Hindley e tivemos transmissões directas na televisão e os jornais noticiaram diariamente graças também à presença dos nossos talentosos João Almeida e Ruben Guerreiro. Ah!…Já me ia esquecendo que houve também um “Il Giro” no feminino e ganhou a Annemiek Van Vleuten, dos Países Baixos, mas não li nem ouvi quase nada.

A “Volta à França” (feminino) conhecida por “Le Tour” (masculino) foi ganha em 2022 pelo dinamarquês Jonas Vingegaard e tivemos transmissões directas na televisão e os jornais noticiaram diariamente. Ah!…Já me ia esquecendo outra vez que também houve um “Le Tour” no feminino e ganhou a Annemiek Van Vleuten, da antiga Holanda, mas não vi, nem li nem ouvi quase nada.

A “Volta à Espanha” (feminino) também conhecida por “LA Vuelta” (feminino – a excepção) foi ganha em 2022 pelo jovem promissor belga Remco Evenepoel que havia trocado o futebol pela bicicleta e com ela caiu de ponte com 5 metros e esteve quase um ano num hospital, e tivemos transmissões diárias e os jornais relataram tudo com o nosso João Almeida a acabar no honroso 5º lugar. Ah!…Lá me ia passando outra vez de vos dizer que também houve uma “La Vuelta” que foi ganha por uma meerlandesa de seu nome Annemiek Van Vleuten, e consegui ver algumas reportagens num canal estrangeiro porque de cá… 

Não sei se reparam que as três voltas masculinas foram ganhas por três atletas de três países diferentes, um australiano, um dinamarquês e um belga, todos com nomes diferentes. Também nas três voltas femininas ganharam três atletas de três países diferentes, uma da antiga Holanda, uma dos Países Baixos e outra neerlandesa mas todas com nomes iguais: Annemiek Van Vleuten. 

Três homens heróis e uma Senhora, que faz 40 anos para o próximo mês de Outubro, e que já foi campeã do mundo e olímpica, que ganhou três “Il Giro” seguidos e ganhou as três principais voltas no mesmo ano quase passa por uma anónima cicloturista.

Eis um prisma de avaliação dos valores do homem e da mulher, e que prisma. Quem os mandasse dar uma volta!!!  

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