O QUE HÁ DE NOVIDADE NA INVASÃO DA UCRÂNIA?
Quando eu nasci festejava-se o fim da 2ª guerra mundial e reconstruía-se o que restava, formando grupos políticos novos e a neutralidade de Portugal dava-nos a sensação de que, tirando a fome, tudo era passageiro. Quando eu tinha 3 anos foi fundada a OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte uma estrutura para prevenir novas loucuras e preservar o Ocidente do perigo comunista. Acontece que em 1956 a Rússia – na altura URSS – avançou pela Europa e INVADIU a Hungria, um país soberano que tinha muitos comunistas mas também muitos não comunistas e esmagou uma resistência interna do país. Eu já lia jornais e ouvia noticiários pois tinha 10 anos. Com o Estado Novo no poder as notícias eram terríveis contra os russos mas não censuravam os países e as organizações ocidentais que protestaram muito e aplicaram SANÇÕES à URSS. Pobres magiares que sofreram na pele. Eu fui Puskas, fui Kubala, fui Imre Nagy!!! Mas talvez porque a 2ª guerra ainda estava fresca – tinha acabado há escassos 10 anos – o Ocidente ficou por aqui para não haver nova guerra em tão pouco tempo.
Mas…passados 12 anos, eu já com 22 anos olhava para o centro da Europa e via a URSS a INVADIR a Checoslováquia (hoje dividida em República Checa e Eslováquia), um pais soberano que tinha muitos comunistas mas também tinha muitos não comunistas, e a esmagar um resistência interna do pais. Com o Estado Novo ainda no poder eu lia jornais e ouvia noticiários mas…também já tinha algumas noções de geopolítica e percebia porque razão os comunistas eram “do pior” e o Ocidente e as suas organizações protestavam muito e aplicavam SANÇÕES à URSS. Pobre povo checo que sofreu na pele. E eu senti-me Alexander Dubcek, e senti-me na alma de Jan Paluch!!!
E depois lá passou mais tempo e caiu o Estado Novo e as noticias na imprensa e na rádio deixaram de estar sob censura política e ficaram livres mas…aos poucos foi ficando outra vez sob outra censura: a dos grupos económicos e financeiros e com efeitos objetivos.
Mas voltemos ao tema: quando um dos seus parceiros “arrebitou” a URSS foi lá INVADIU e a OTAN olhou para o lado e o Ocidente aplicou SANÇÕES.
Depois ruiu o Muro de Berlim e atrás dele toda um URSS e os outros países cujos valores eram assumidos pelo Pacto de Varsóvia – a OTAN comunista ou da “cortina de ferro”.
Muito calmamente depois de deixar passar a “poeira” nos antigos países comunistas a OTAN começou a fazer o seu trabalho e foi trazendo para o seu seio um de cada vez até conseguir chegar à fronteira do inimigo Rússia que cada vez que via um novo país entrar na aliança anticomunista ficava preocupada. Uma base militar da OTAN à janela de casa? Já bastam as dos países bálticos. E que fazem os russos? INVADEM a Ucrânia um país soberano que tem muitos comunistas e muitos não comunistas, e que quer entrar para a OTAN. E que fazem o Ocidente e a OTAN? Protestam e aplicam SANÇÕES à Rússia.
E estamos todos admirados como se tivesse sido a 1ª vez que isto acontecia.
A Ucrânia pediu várias vezes para aderir à OTAN mas não foi atendida. Porquê? Talvez porque a OTAN teve receio da posição da Rússia. Se o tivessem assumido e a Rússia tivesse invadido havia legitimidade para a OTAN ao nível dos seus estatutos tomar posição bélica e aí teríamos a 3ª guerra mundial e como sempre seria a Europa o palco desse episódio.
Falta-me dizer algo sobre a OTAN. São 30 países todos com direitos mas se não fizerem o que os EUA “recomendarem” não se faz nada. E os palcos da discussão são sempre, mas SEMPRE, longe do território do tio Sam (Granada, Médio Oriente, etc. porque o episódio Baía dos Porcos de 1961 era muito perto do seu território). Gosto de ver os políticos europeus a falar em nome da OTAN como se tivessem algum poder para além de aplicar SANÇÕES. São duros nas palavras e o povo ucraniano “ouve-os com muita atenção”.
A OTAN é em português porque em “americano” é conhecida por NATO e no tempo do Estado Novo teve direito a ser imagem de selo dos nossos correios.
A minha posição neste conflito que CONDENO é: só o povo inocente é Santo todos, mas todos são Pecadores.
Concluindo o texto:
O QUE HÁ DE NOVO NA INVASÃO DA UCRÂNIA?