Caderno de notas

Nestor de Agiesto

O que eu sei é pouco… mas não o guardo para mim

EU "COVID-19" me confesso

EU "COVID-19" me confesso

UM TEXTO ENFADONHO

Hoje venho maçar-vos com um texto sobre o COVID-19, na primeira pessoa. Vou a factos cronológicos e deixo para depois os comentários.

Sexta feira dia 4 de Dezembro, um “mascarado”, com as mãos desinfectadas no álcool gel que tenho à entrada da porta, descalçou o calçado de rua e esteve comigo durante 50 minutos. Cumprimentos de cotovelo.

Sábado à tarde 05/12 a minha Irmã teve alta do H.P Hispano onde estivera duas semanas (com 2 testes de covid negativos) com insuficiência cardíaca, respiratória e renal. Sou o seu apoiador cuidador com visitas diárias no domingo, segunda, terça e quarta.

Quarta à tarde, 09/12, o dito “mascarado”, telefona-me e diz-me “tenho notícias desagradáveis para te dar: estive sexta contigo e no sábado o meu pai sentiu sintomas e foi fazer o teste e deu positivo. Ontem tive sintomas também eu e vou fazer teste”. 

Como prevenção, e por ter uma tosse que já trazia há 2 semanas, avisei a minha Irmã que não voltaria lá até estar melhor. Mas continuei a fazer a vida normal. 

Quinta feira à tarde 10/12 veio a resposta: ele e a esposa e a mãe deram todos positivos. Liguei para a Saúde 24 que me marcou uma “consulta presencial” no Centro de Saúde especializado de Matosinhos, na Senhora da Hora. 

Sexta feira dia 11/12 lá me apresentei de manhã e tive uma excelente consulta: fui auscultado, foi-me medida a saturação de oxigénio, mediram a febre (que não tinha), a tensão arterial e a conclusão veio a seguir: não tem critérios de Covid mas pelo protocolo vai ter de fazer logo à tarde o teste. Assim fazendo a vida normal almocei com a minha esposa e com a minha filha. No fim do almoço lá me dirigi ao H.P. Hispano e levei uma simpática “zaragatoada”. Vim para casa confiante e...fé em Deus!

Sábado 12/12 ao meio-dia o telemóvel vibrou e fui ver o que era: POSITIVO!!!.

Fisicamente nem um sinal, moralmente uma decepção, um destruir de um interior, um sentimento de injustiça (onde teria falhado?), o ruir de uma construção feita na base de um passado assente em responsabilidade total para comigo e para com os outros! Doeu tanto, mas tanto que não sei descrever. Quando a Odete chegou com confiança, ela é sempre muito forte, logo começamos a arrancar para o futuro. Comunicado aos filhos a Ana tratou de ligar para a Saúde 24 e ficou em isolamento profiláctico assintomática e terminou tendo já alta. Eu liguei também para a Saúde 24 e pedi testes para a Odete e para a minha Irmã Foi montada uma cama no escritório (que tem casa de banho completa e privativa) e confinei-me a partir do dia 12 à tarde. 

Segunda feira 14/12 as minhas “meninas” foram a Manhufe, de táxi, fazer os seus testes e às 23 horas veio o veredicto: Odete NEGATIVO e Maria José POSITIVO. Mais um peso de consciência: como apoiar a minha Irmã com o teste positivo? 

No mesmo dia telefona-nos a nossa empregada a dizer que o filho tinha sido contaminado por um colega e também ela, a filha e o marido tinham feito o teste estando todos negativos mas em isolamento profilático.

A terça feira dia 15 com todos assintomáticos terminou com a febre a aparecer em mim, 38º ao deitar.

Quarta feira 38º todo o dia com Ben-U-Ron de 8 em horas. 

Quinta feira 17/12 igualzinho, sem sintomas a não ser uma voz mais presa e um cansaço ao  falar e 38º todo o dia apesar do Ben-U-Ron. A médica de Saúde Pública (que não conheço) e que estava encarregada do meu caso positivo, e que me telefonou todos, mas todos mesmo, os dias, resolveu marcar-me nova “consulta presencial” no mesmo local. Lá me desloquei ao fim da tarde e, outra médica diferente, fez-me exatamente o mesmo tipo do exame e a o veredicto final foi: continue a tomar o antipirético e, se a febre subsistir, na segunda feira vá à urgência do H. P. Hispano. 

Sexta feira dia 18, a médica de Saúde Publica, no seu telefonema diário, aconselhou-me a não esperar por segunda feira e ir nesse dia ao H.P.H. e dizer “sou um doente Covid Positivo e não tenho outro sintoma a não ser a febre persistente”. Almocei e fui ao H.P.H. Fui “triado” às 15,12 e encaminhado para umas das quatro salas de espera. Ao fim de uma hora e meia, fui atendido e auscultado, medida a saturação, a tensão e a febre e esperei mais meia hora. Em 15 minutos, tiraram o sangue, fizeram ECG, Raio X pulmonar (à técnica percebi “sussurrar” que os pulmões estavam limpos) e tomei medicação (febre, tensão alta, anti histamínico). Depois das 17,30 uma eternidade na sala de espera até a médica chegar com uma receita para aviar na farmácia. Que alívio...era o passaporte para ter a ansiada alta. Eram 19,45 quando recebi a informação verbal da alta e a explicação: o teste tinha sido positivo logo não havia dúvidas que embora assintomático havia um efeito virulógico, mas o que estava a causar a febre era uma escondida  “infecção bacteriana” de origem desconhecida. Assim foram-me prescritos dois antibióticos, um combinado com anti-inflamatório e outro de toma diária de 3 dias e ainda um corticoide. 

Sábado 19/12 melhoria acentuada na febre.

Domingo 20/12 já sem febre todo o dia.

Segunda 21/12 também sem febre e melhorias no respirar e no cansaço físico. 

Terça feira 22/12 e 23/12 tudo a normalizar-se mas sempre a viver isolado, roupa lavada em separado, comidas à porta do quarto em tabuleiro e ao fim da tarde de 23/12 a incansável médica de Saúde Pública telefonou-me a dar-me alta e a marcar o teste da Odete para a manhã do dia 24 no H.P.H. 

Dia 24/12, quinta feira, de manhã levei a Odete a fazer o teste e ao regressar o carro “desviou-se” um pouco da rota e levou-nos à marginal de Matosinhos até ao Castelo da Foz e volta. Há 15 dias que não víamos as ruas de Matosinhos e o sagrado mar. À noite veio a prenda do sapatinho: o teste da Odete é mais uma vez NEGATIVO. 

Meus Amigos ao fim da tarde vesti uma camisa e coloquei ao pescoço uma gravata (quase não sabia fazer o nó pois não usava há talvez 2 anos) e tive a prenda de jantar com a Odete na sala de jantar da casa. A primeira refeição a dois desde o dia 12 passado. Vocês imaginam que nunca me tinha sabido tão bem um lombo de bacalhau com penca, cenoura, batata e ovo cozidos, temperados com azeite biológico e alhos. Abri a melhor garrafa de vinho alvarinho que conheço. Será que Vocês sonham o que me soube este jantar de Natal? Esforcem-se mas não vão conseguir. Agora a casa toda é nossa, é dos dois e só dos dois!!!

Foi o primeiro Natal desde 1997 (era o 24º) que passamos sem a nossa Alexandrina que está feliz no seu novo ambiente que ela adora: a APPACDM da Maia. Vimo-la através de vídeo-chamada. Está linda e feliz e atira beijinhos! Depois da maravilhosa Ceia de Natal o nosso filho e nora vieram ver-nos ficando eles no hall do elevador e nós dentro da porta. Tiramos fotos, conversamos e sentimos a presença deles na noite de Natal (há dez anos que andam pelo mundo e não tínhamos este encontro) e foram embora para serem substituídos pela nossa filha genro e os três netos. Vejam só como “nada se perde, nada se cria, mas tudo se transforma”. Foi uma noite de Natal riquíssima. E ainda há quem duvide que “Deus a quem promete não falta”. A nossa Fé é que nos alimenta!!!

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