WIKI + PÉDIA – 20 anos de enciclopédia gratuita

15 de JANEIRO – Parte 2

1974 – Recomeça na metrópole o período descendente de António de Spínola que tinha começado na Guiné, quando o ataque à Guiné-Conakry, há 50 anos, intitulado “Operação Mar Verde” falhou os objetivos principais e quando a “nossa” Guiné declarou, em 1973 no seu próprio território, a sua Independência unilateral reconhecida por muitos países, sendo demitido de Governador e Comandante em Chefe das Forças Armadas na Guiné regressando ao continente. Em 15 de Janeiro parece recuperar ao aceitar ser nomeado Vice Chefe do Estado Maior das Forças Armadas lugar em que durou pouco tempo pois foi demitido, tendo antes publicado em Fevereiro o livro “Portugal e o Futuro”, na altura um best-seller e uma “pedrada no charco”. Era Chefe do EM das FA  Francisco Costa Gomes. Em 13 de Março recusam-se os dois a ir prestar vassalagem a Marcelo Caetano e são demitidos ambos. Depois um grupo afecto ao seu núcleo militar faz a tentativa de 16 de Março que o marcelismo aborta. E vem finalmente o 25 de Abril e – pessoalmente não sei de quem foi a ideia – foi convidado para a Junta de Salvação Nacional sendo cooptado para presidir. E assim tivemos um militar de direita (ver com quem andou na década de 30) a Presidente da República na sequência de um golpe de estado pró-esquerda. Também aqui foi por pouco tempo e demitiu-se na sequência das confusões do 28 de Setembro e viria passados 6 meses a envolver-se nas confusões do 11 de Março de 1975 emigrando. Anos mais tarde regressou e foi discreto na sua permanência do País. Tenho-o como um militar de prestígio, que foi pena não se ter reformado mais cedo sem se envolver na política.

Em 1975 foram assinados no Alvor os acordos entre Portugal e os três movimentos de libertação angolanos: FNLA, MPLA e UNITA, que levaram à independência daquela colónia e que levaram a uma guerra civil fratricida que durou mais tempo que a de libertação contra Portugal.

Em 1985 o Brasil elegeu o primeiro Presidente não militar em 21 anos mas que adoeceu misteriosamente na véspera de tomar posse e morreu sem ser empossado: Tancredo Neves.

Em 1986 morreu um talentoso fabricante de boa disposição e alegria para muitos portugueses especialmente os que frequentavam o Teatro Mayer e depois através da televisão. Quem não se lembra da cantiga “Cheira Bem, Cheira a Lisboa”, ou das revistas “O Zé Faz Tudo” ou “Saídos da Casca”, ou dos programas “Sr. Feliz e Sr. Contente”, “Sabadabadu” ou “Gente Fina É Outra Coisa”? Pois o seu criador foi o quase anónimo, para o comum mortal, chamado César de Oliveira.

Em 1988, a partir da velhinha Caixa Económica do Funchal o empresário madeirense, radicado na África do Sul, transforma-a no Banif – Banco Internacional do Funchal que, ao fim de 20 e poucos anos, deu o “estouro” rebentando o prejuízo em primeiro lugar nos seus depositantes e depois nos nossos impostos.

E para finalizar em 2001 nos EUA um empresário Jimmy Wales e um filósofo Larry Sanger resolveram criar uma enciclopédia multilíngue e de licença livre. E se assim pensaram logo avançaram para escolher um nome: foram a uma palavra havaiana que significa “rápido” e também é uma tecnologia para criar “sites colaborativos” a que juntaram o sufixo de enciclopédia e assim nasceu aquela que conhecemos e utilizamos, “WIKI” + PÉDIA a “Wikipédia” administrada pela Fundação Wikimédia que não tem fins lucrativos.

Leave a comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *