INSTITUTO CULTURAL D. ANTÓNIO FERREIRA GOMES – PORTO 

PROVA DE FREQUÊNCIA DO 1º SEMESTRE DE INTERARTES      21-01-2023

Tempo de duração                : 60 minutos

Valorização da Prova.           : Muitos % da nota final

TÍTULO (e sua explicação)   : PRETEXTO – TEXTO – CONTEXTO

PRETEXTO  :  “Havemos de ir a viEna”, desculpe-me o grande Pedro Homem de Mello

TEXTO         : “A Viagem do Elefante” (a viEna), desculpa-me grande José Saramago.

CONTEXTO : Viagem Cultural a Portalegre para falar do grande escritor José Maria Reis 

                        mais conhecido por José Régio. 

Aviso prévio : Em 2004 o CR7 estreou-se na selecção nacional de futebol  e nunca mais saiu até hoje embora tivesse mudado várias vezes de treinador e eu também me estreei no ICAFG e até hoje também não saí. Mas o que me distingue dele não são as qualidades ou defeitos de cada um mas sim o facto de eu nunca ter mudado de treinador. E nisto a “bola de ouro” é minha. 

Depois do aviso prévio vamos ao assunto.

O facto de estar há 18 anos sempre com o mesmo treinador leva-me a ter vários dilemas como por exemplo: será que o treinador embirrou comigo e chumba-me todos os anos apesar de eu ser inteligente ou será que sou “burro” e não mereço passar de ano? Mas tenho outro dilema: será que eu quero ter boas notas para passar de ano e perco o treinador ou prefiro ter uma nota má para chumbar e ficar com o mesmo treinador? Que me perdoem o grande Pessoa e o grande Mário de Sá Carneiro nestas minha lutas entre o “eu e o outro”.      

Esta vida de estudante é uma vida tão difícil…livra!

Se eu fosse o “aldrabão” do guardador de rebanhos o grande Alberto Caeiro (perdoa-me outra vez Sr. Pessoa) dizia que este texto saiu logo à primeira sem qualquer emenda mas na verdade cada vez que o leio faço uma alteração razão pela qual não vou ler mais nenhuma vez.

Mas contemos como cheguei ao José Saramago que é melhor que eu em algumas coisitas mas que sempre que há alguma listagem ou tabela ele fica sistematicamente atrás de mim porque José Reis é sempre antes de José Saramago. Estou sempre acima dele! Onde eu perco com ele é no que diz respeito ao mau feitio pois dizem que por muito que me esforce “não lhe chego aos calcanhares”.

A regente da cadeira (a tal que me chumba todos os anos), a Profª Catedrática Isabel Ponce de Elefante “condicionou-nos com falinhas mansas” para lermos um livro para no último semestre fazermos um trabalho pessoal sobre o mesmo.  Nesse sentido da lista que a Profª escolheu (não tivemos liberdade de escolher fora da lista dela) eu escolhi um livro de que já tinha lido quase 200 páginas e anunciei o livro de um autor que provavelmente a grande Agustina (perdoe-me, Agustina) diria “dentre os maus escritores esse deve ser um dos assim-assim” como disse do grande Manuel Alegre . Todo “lampeiro” anunciei a minha escolha e a regente da cadeira com a sua autoridade responde-me “esse não pode ser porque já está já assumido pela colega Maria Arminda viEna”. E aqui surgiu-me outra dúvida: como uma é Profª e a outra é directora do ICAFG não terá sido um conluio para me obrigar a escolher outro livro. Cheira-me a que foi ou conluio ou mais uma embirração da Profª comigo. Mas vou “dar de barato” que foi só uma coincidência – mas, que fique bem claro, que eu não acredito em coincidências – e assim escolhi para me martirizar um livro do José Saramago, o tal “ A Viagem do Elefante”. E pronto vou “dar o corpo às balas” sobre a viagem do Salomão que virou Solimão sem saber porquê. E agora vamos em frente para tentar obter a nota que mais me convier: uma positiva e passo de ano e deixo o meu grupo e a Profª ou uma negativa e fico como o Menino Jesus na manjedoura rodeado de mimos e carinhos da Nª Sª Professora e dos Pastores que me rodeiam todas as terças-feiras incluindo a Vaquinha e os “Burros” que como também já coleccionam alguns chumbos.

Agora vou falar do contexto destas trabalhosas horas que passamos na quarta, quinta e sexta-feira. As acima mencionadas como Profª e Directora  do ICAFG organizaram com o apoio do CER – Centro de Estudos Regianos e da Câmara Municipal de Portalegre uma viagem ao Alto Alentejo para uma visita cultural relacionada com o grande escritor do norte de nome José Maria Reis cuja árvore genealógica tem como tronco uma Pereira e assinava José Régio. Dizem – e não sei se é condição obrigatória para ser um bom escritor – que tinha mau feitio mas olhando por cima do ombro e vendo o Saramago e a Agustina eu peço perdão ao “Grande Mestre da Vida” pelo mau feitio de todos três. E de facto lá fizemos quase 800 kms em 3 dias saindo do Porto com chuva e regressando ao Porto com chuva mas com o coração cheio porque a “malta”, directora, professora, alunos e acompanhantes é fixe e cumpridora. E começando pelas refeições almoçamos em Castelo de Vide onde só  nos faltou levar as marmitas para trazer a maravilhosa carne de porco à alentejana que sobejou. Depois jantamos numa petisqueira de Portalegre, só com a nossa gente, em que foram tantos os petiscos que houve pessoas que não conseguiram provar todos os pratos que nos foram servidos e em que a alegria e o som das risadas foi um elemento harmonioso (maneira educada de dizer barulhentos). Depois no almoço seguinte a escolha do restaurante era livre e restou-nos entrar, comer e pagar para depois esperar o jantar que foi servido num recente hotel,  em salão dedicado em exclusivo, em que foi servido um prato de arroz de robalo e camarão e que contou com a presença de três representantes da Câmara Municipal entre as quais a Vereadora da Cultura, Dra. Laura Galão.  E não podia falar desta última refeição sem falar de um grupo de “intrusos meios loucos” que a Profª “arregimentou” no seu círculo de Amigos e que sendo alheios ao ICAFG aproveitaram para ir tocar guitarra, cantar, declamar e contar histórias e que nos proporcionaram um sarau maravilhoso. São todos muito jovens – desde os 60 e muitos até aos 80 e alguns e claro está que com este escalão etário não mereceram nem receberam “cachet”.  É bem feito porque nos deram uma noite calorosa e divertidíssima. Obrigado para eles, e a Profª também declamou umas “miudezas” só para que este agradecimento também fosse para ela (logo a pessoa que me chumba todos os anos!). E se julgam que a viagem terminou aqui estão enganados porque no dia seguinte esta “tropa” viajou até Marvão e conheceu o rio Sever (vão ao Google para saberem mais sobre este desconhecido rio que fez com que no tempo dos romanos se tenha fixado um povoado a que deram o nome de Ammaia). E agora tenho que confessar que (e espero que o Ministério Publico e a CMTV não descubram) também fiz um conluio com a directora Maria Arminda viEna para “caçarmos” a Profª para almoçar na nossa mesa para tirarmos “nabos da púcara” e “engraxarmos” para subirmos a nota. E foi aqui que eu tive um misto de surpresa e que me inspirou a escrever esta lenga-lenga: a pobreza de linguagem da directora e mais grave da própria Professora quando lhes disse que ia apresentar o livro “A Viagem do Elefante”. Perguntaram-me quase em coro “ambas as duas”: “sabe a razão pela qual foi escrito este livro?” Eu confesso que, com esta tão primária linguagem, não percebi o alcance da pergunta. E logo “ambas as duas” de forma triunfante disseram “porque está relacionado com viEna”.  Depois do instante de surpresa concluí que estas duas Senhoras, com o intuito de nos levar a viEna, puseram o livro na lista, isto é, o simples do Saramago resolve tomar um café em viEna e escreve um livro e isso não conta para nada! É mesmo um caso de “os meios justificam os fins”. Mas ainda bem que assim fizeram porque provavelmente “havemos de ir a viEna” e o livro está a valer a pena ler. Obrigado às duas. Mas numa viagem cultural era espectável que se falasse de alguma actividade cultural, não? Nós não enganamos ninguém: a viagem teve mesmo cariz e actividade cultural.  Pois é, então vamos lá a esse tema.

Na quinta-feira o tempo foi quase todo entregue a actividades culturais sempre com a Câmara Municipal a apoiar o CER. E começou por volta das 10 horas da matina, com 3 graus positivos e sol, para uma caminhada com visita guiada. Ruas, quiosques, cafés, habitações, onde José Régio ficou ligado nos 30 anos que viveu em Portalegre, e uma visita muito interessante ao Museu da “Tapeçaria de Portalegre”. Depois intervalou-se para almoçar e descansar e às 14,30 nova visita guiada desta vez à Casa-Museu José Régio com um recheio de arte na sua muito grande maioria a dita “arte sacra”. E às 15,30 houve uma comunicação (não chamo palestra) de um jovem engenheiro saído há pouco das universidades: nunca o tinha visto mas já tinha lido alguns escritos dele e adorei conhecê-lo e ouvi-lo, ele chama-se Eugénio Lisboa e só tem 92 anos. Lembram-se  do que eu disse atrás sobre o mau feitio dos bons escritores? O Prof. Eugénio Lisboa dizem os entendidos que é um bom escritor e aí…ai de quem ele não gostar, é o que dizem… Digo-vos que o Prof. naquela sessão deu “uma abada” à Profª Isabel Cadete Novais (CER) e à Profª Isabel Ponce de Elefante ICAFG) lá isso deu: as duas distintas Senhoras para dizerem umas “coisinhas” (agradecimentos, anúncios, etc.) na presença da Presidente da Câmara Municipal, Dra. Fermelinda Carvalho, que presidiu  à sessão, vieram com cábulas na mão ao passo que o Prof. falou todo o tempo sem cábulas e citando montes de pessoas que escreveram coisas há quase um século. Notável a frescura daquela memória e a facilidade de expressão de um homem que em cima dos meus 76 anos tem “só” mais 16 anos que eu. E a satisfação que expressava o seu rosto quando em cavaqueira de café contava anedotas? Que beleza. Esta narrativa da parte cultural só fica completa se dissermos que a população local fez com que fosse necessário ir buscar mais cadeiras e mesmo assim ficou gente de pé. E julgavam que eu me esquecia…não me conhecem bem! Os tais “intrusos meio loucos” interpretaram os números musicais e declamativos no principio, no meio e no fim da sessão e mereceram tal como o Prof. Eugénio Lisboa os longos aplausos com que terminou a sessão. Obrigado a todos, mesmo à Profª “chumbadora” que tem imenso trabalho connosco em especial nestas “aulas no exterior”.

À parte disto vou fazer uma pequena nota: depois de 9 anos de conversações, vai fazer este ano 50 anos que assinei, na sacristia e no registo civil, um contrato e, como não faço passeio de mais de um dia sozinho, desta vez por motivos de saúde, e por não ser “a sua praia” só na véspera à noite é que tive a confirmação de que ia a Portalegre, mas a frase que me permitiu perceber que ia foi: “vamos por ti, porque sei que queres muito ir, porque como sabes não é a minha área de conforto, mas posso ficar no hotel”. Qual era a minha expectativa? Esperar que tudo corresse mais ou menos bem! Agora, graças a um grupo muito bom, ouvi a minha Odete dizer pelo telefone aos meus filhos: “estou muito feliz e não fiquei no hotel vez nenhuma. Foi muito bom e divertido”.  E como é que eu fiquei? Muito feliz por Ela, por mim e por todos os que nos proporcionaram estes momentos.

E para terminar como eu tinha de falar da “A Viagem do Elefante” aqui vai o que tenho a dizer: o elefante em vez de quatro patas tinha quatro rodas, o cornaca (se não sabem o que é vão ao Google) chama-se António em vez de Subhro e levou-nos e trouxe-nos em segurança e com simpatia e enquanto o José Saramago levava um monte de gente à frente e atrás do elefante nós fomos todos dentro do elefante do século XXI.

Desculpem-me esta brincadeira mas um relatório de viagem ficava muito formal e “chato”. 

Assim garantindo-vos que não fiz isto para melhorar a nota prometo que se a nota subir muito eu abdico solidariamente de metade desse aumento a favor  do Lélito que penso que está em risco de chumbar mais uma vez e que foi condenado a ouvir falar e a viver nos lugares onde o “verdadeiro” Lélito passou 30 anos. Que injustiça!!!

Matosinhos, 22 de Janeiro de 2023

O Aluno: José Maria Reis  sem Pereira 

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