OS SERES HUMANOS E OS DIRIGENTES (DES)HUMANOS
Que NENHUM ser humano seja descriminado por ser homem ou mulher ou outro género, por questões de religião, de cor de pele, de ser ou não deficiente, e podia desfiar uma série de razões. Isto dizem todos os dirigentes mundiais desde o norte ao sul e desde o oriente ao ocidente. Como a dignidade humana seria garantida se assim fosse. Este tema social é talvez dos temas que mais promessas tem em todo o mundo. Não vou fazer senão uma leve, mas muito leve, abordagem deste assunto porque não estou habilitado com elementos para me meter por estes caminhos com firmeza e também porque não sou exemplo para ninguém como voluntário.
Conhecem os seguintes nomes: ZAATARI, KYANGWALLI, KUTUPALONG, DADAAB, KHARAZ, MORIA, LESBOS, LAMPEDUSA, e há mais dezenas e dezenas de nomes para aqui acrescentar?
Os muitos milhares de habitantes destes territórios NÃO são norte-americanos NEM europeus pelo que não são descriminados por qualquer outra razão senão por serem cidadãos de SEGUNDA. Não sei os esforços que são feitos pela sociedade mundial para lhes encontrar uma vida condigna.
São PESSOAS que viram a fome, viram alguém a matar os seus familiares em guerras ferozes que duram anos com armas que eles não fabricam mas que veem as almas boas dos voluntários das ONG’s a proporcionarem uns momentos de menos sofrimento e pouco mais. São milhares, milhões que não estão na sua terra, estão onde não se fala a sua língua, não têm sábados nem domingos nem qualquer calendário. Vivem anos e anos assim até chegar o dia final. Eu disse vivem, mas devia dizer cumprem o ciclo de vida da natureza humana. Estes campos são de refugiados mas podiam ser campos de concentração porque só têm agitação quando são constituídos mas que passam para o quase esquecimento quando entram em velocidade de cruzeiro. São visitados pela ONU, pela ACNUR, pela UE, pela OMS, pela FAO, pelo Presidente ou Secretário de Estado dos EUA, em viagens que custam muito dinheiro e que produzem milhões de páginas de relatórios e dão profundas entrevistas com semblante carregado e com muitas promessas. Na Europa há curtíssimo tempo os seres humanos de SEGUNDA viram vários países a gastar rios de dinheiro com arame farpado e outras barreiras para lhes barrar o acesso, porque são de SEGUNDA. Mas eles são de segunda, terça, quarta e de todos os dias, são seres humanos sempre e tal como todos os outros nasceram para crescer e viver.
Foi nestes territórios, que não vêm nos mapas, que muita gente de bom coração trabalhou como VOLUNTÁRIO e neste mundo indiferente em que eu me incluo, estão agora “tarimbados” para ajudar no anonimato lado a lado com as figuras mediáticas que “voluntariosamente” ajudam (e ainda bem) mas à luz das câmaras.
Portugal é um pais acolhedor por isso não “Odemira” que esteja na linha da frente para receber com dignidade os emigrantes sejam eles de primeira ou de segunda.
Condeno a guerra, condeno as perseguições, condeno o abandono à fome e tudo isto é devido a uma “coisa invisível mas que se vê” que todos querem ter: PODER.