LEGISLATIVAS 2022 – Rescaldo

Ontem falei dos que ficaram de fora e hoje é a vez dos que ficaram dentro.

Volto a frisar que NÃO GOSTO de maiorias absolutas de um só partido. Mas tenho que aceitar porque o povo decidiu.

Já todos os comentadores falaram sobre este tema e eu não quero repetir o que eles disseram ou escreveram.

Começo por lembrar que o PS não foi o mais votado em 2015 mas teve o governo aprovado e o PSD que foi o mais votado viu o seu governo recusado. Pois bem agora o CDS foi mais votado que o PAN e o LIVRE e ficou de fora e aqueles ficaram dentro. Coisas da política democrática mas as regras estavam escritas à partida. 

Outro tema: lembram-se do “falecido” PRD (que pena Ramalho Eanes ter esta marca na sua bela carreira) e da sua “ilusão” que levou à dissolução da AR? Pois bem se a Esquerda (BE, PCP e Verdes) queriam travar a Direita e a Extrema-Direita vejam o resultado da sua “ilusão”: perderam 20 eleitos que tinham e deram de “mão beijada” 18 àqueles que queriam travar. E que ganharam com isso? Perderam a força que ainda tinham para condicionar o governo em exercício. As cordas quando muito esticadas quase sempre rebentam e quem sofre as consequências é, quase sempre, o elo mais fraco. E agora? 

Eu quase me senti um líder partidário porque, tal como eles quando não lhes agradavam os palpites, eu penso ainda hoje que “sondagens são sondagens”. Assim como o PS agradece parte da sua vitória às sondagens também o PSD agradece às sondagens o resultado na Câmara de Lisboa. Neste último caso a diferença era tão grande que os eleitores não foram lá e quando deram por ela já o “caldo tinha entornado” e no caso de há dias eles estavam tão “empate técnico” que era preciso ir lá ao desempate por pênaltis. Não estou a analisar os méritos e os deméritos de quem ganhou ou perdeu estou só a olhar para o que nos “metem na nossa cabeça” e que nos leva a dizer “sondagens são sondagens” e depois decide-se ir ou não ir votar e votar útil ou votar no nosso clube. Quanto ganharão as empresas de sondagens? Que métodos científicos usarão para “acertarem tanto”? Eu bem tento “sondar” este tema mas não tenho respostas. 

Mas o que ficou agora para discutir na política? Pouco ou nada. O Orçamento que foi recusado por mais de metade da AR vai ser aprovado por maioria garantida. Os restantes partidos iam ter que aguentar o Governo minoritário do PS até 2024 ou não, e agora vão ter de o aguentar (sem precisar de ninguém excepto para Revisão Constitucional e pouco mais) até 2026. O PR já não vai ter de perder muito tempo a limar arestas do governo para a oposição e vice-versa para aprovação de leis. Sobra-lhe mais tempo para os afectos e as selfies e para uma diplomacia fora do país. O que resta então? Como se vão encher os telejornais? Ah…já desconfio: vão aparecer as “sondagens” para ver quem vai ser o novo dirigente do partido “A” e do partido “B”, e vão aparecer “empates técnicos” para se poder vender mais notícias. Até o futebol está a derrapar para maiorias absolutas, tristeza! Talvez a Ucrânia e a Rússia nos distraiam sem chegarem a vias de facto. Só com a venda de armas para…a PAZ, porque todos querem a paz! Podíamos ter notícias de coisas boas que acontecem no nosso país nas fábricas, nas empresas de turismo ou de serviços, os bons exemplos dos serviços sociais, etc. mas isso vende pouco. Que pena!!!

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