27 de agosto de 2021
22,00 horas
Há quase um ano que não saía de Matosinhos. Então que pensar? Vou para um lugar com tudo a que tenha direito.
Mas enganei-me no catalogo e, em vez de trazer para estudar um de uma agência de viagens e turismo, peguei num de “turismo rural” não oficial, que me “dava” quatro diárias completas por um preço baixo com comidas e bebidas de consumo próprio das lavouras e das vinhas da casa. E como iria preencher o meu tempo entre comer e dormir? A diária “dava-me” direito a umas reuniões orientadas por uma investigadora e professora doutora numa matéria que vou precisar de saber “daqui por muitos anos” e umas reflexões dirigidas por três especialistas no sentido do conforto da alma. Então vamos recapitular: camas para descanso, comidinha e bebida da boa (e podia-se pedir mais), alimento para o intelecto e alimento para a alma. O que era preciso mais para repor a falta de sair de Matosinhos (que eu adoro) e destas caras tapadas com que me cruzo todos os dias? Houve passeios orientados e livres pela mata, quem quis apanhou fruta, visitou-se um simples museu, fizemos uma visita nocturna a um Santuário. Vou ser sincero, mas não sei quantas pessoas constituíram o grupo, mas seriam há volta de 20 entre homens e mulheres.
Como casais éramos três, a que se junto no último dia mais um com dois adolescentes. Penso que ninguém conhecia ninguém, uns vieram de Viana, outros de Elvas, de Coimbra, de Paço d’Arcos, de Leiria, de Lisboa, Oeiras, de Ermesinde e nós de Matosinhos. Por pura coincidência os três casais tinham celebrado o seu matrimónio em 1973 isto é no tempo “da outra senhora” e tinham um filho e uma filha de 47 ou 46 e de 43 ou 42. Nós celebramos neste meio os nosso 48 anos de casados sem que ninguém soubesse porque a sobriedade é uma boa amiga. Depois disso falamos mas já tinha passado o prazo para sobressair. No dia da despedida a “casa” através do seu diretor pôs na recepção muitos quilos de peras dos seus pomares para que cada um trouxesse o que quisesse pois estavam excedentários mesmo ajudando instituições vizinhas. E viemos mais arejados depois daqueles dias em que Matosinhos ficou longe do nosso pensamento. Ah…falta dizer o que alimentou o nosso intelecto e a nossa alma.
O tema que nos levou lá foi sugestivo, para nós jovens com tempo livre: LONGEVIDADE…e ESPIRITUALIDADE.
A especialista do ISCSP Profª. Drª. Alexandra Araújo, uma jovem alentejana mãe de cinco filhos, falou-nos do “desenvolvimento humano” e em especial nas idades tardias com uma perspectiva POSITIVA longe dos tristes espectáculos que a informação nos fornece diariamente e que existem de facto por falta dessa positividade. Não foram só palestras com powerpoint mas também trabalhos de pequenos grupos. Estiveram muito activos os jovens que iam até aos 85 anos bem lúcidos.
A parte da espiritualidade foi orientada por um jovem açoriano que versou sobre a pessoa humana e a dignidade humana no primeiro dia, e no dia seguinte foi a vez de outro jovem, o orientador de toda a semana, de falar sobre as cartas do Papa S. João Paulo II e do Papa Francisco aos avós e no terceiro dia o diretor da casa veio falar sobre S. José a quem o Papa Francisco dedicou até 8 de Dezembro o ano de 2021. E despedimo-nos todos com amizade (lembrando o Engº. Sousa Veloso, na sua TV Rural) e com a promessa que para o ano lá possamos estar todos com a nossa juventude.
Falta-me dizer-vos qual o Hotel que escolhemos:
Convento dos Carmelitas Descalços, de que faz parte o Santuário do Menino Jesus de Praga, na união de freguesias de Avessadas e Rosem, no concelho do Marco de Canaveses.
A quem devemos esta leveza de espírito? A todos anónimos ou não, que nos “aliviaram as cargas” que levávamos: cozinheiras, “alunos companheiros de trabalho”, a Dra. Alexandra, com as gargalhadas mais simpáticas que se ouviram com alegria, ao açoriano Padre Renato que fez duas horas e quarenta e cinco de viagem para cá e outras tantas para lá, para duas ou três horas de companhia, ao diretor da casa, Padre Agostinho Leal, que com a sua simpatia nos fez uma breve e alegre apresentação do discreto S. José que dá pouco espaço para que se fale dele, e finalmente ao jovem Padre João Rego que além de falar aos Avós organizou tudo para que não faltasse nada. O vinho não faltou mas durante pouco tempo faltou a água…e só porque alguém desligou sem saber o disjuntor. O que vale é que o vinho da quinta é bom e não dependia do disjuntor! E julgavam que acabava aqui? Não! Tudo foi melhor porque à entrada só conhecia a minha Odete e, depois de ter tido muito boas e alegres companhias, saí outra vez só com a minha Odete e no coração trazia as Tétés todas: A Teresinha do Menino Jesus, a Tersa de Ávila, a Teresa Benedita da Cruz e o João da Cruz todos Santos e todos a “toque de caixa” comandados pelo Menino Jesus de Praga.
Que grande semana de turismo e férias!!!