10 DE MAIO DE 2024…e de outros anos

Porque razão é importante o 10 de Maio de 2024 para mim? Porque tenho uma maravilhosa Alexandrina e faço parte de uma bela Instituição, a APPACDM da Maia e porque ontem o meu querido Portugal comemorou o primeiro “DIA NACIONAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL”. E que fizeram os trabalhadores da Instituição com a orientação dos técnicos dos 3 polos (V. N. Telha, Avioso e Águas Santas) e com a concordância da direcção? Resolveram, com um esforço logístico incrível, planear um dia comemorativo no meio da Mãe Natureza, aproveitando uma temperatura agradável fornecida pelo S. Pedro, no Parque Municipal de S. Pedro de Avioso (Maia) onde todos os clientes não acamados passaram parte da manhã e da tarde na companhia dos familiares que tiveram disponibilidade para estar presentes, com várias atividades, com a presença de uma Tuna da Escola Superior de Educação e com um lautíssimo lanche para todos e que, sendo um dia feito na simplicidade de gente simples para gente simples, teve a generosa, simpática e demorada presença da Vice Presidente da Câmara Municipal da Maia muito ligada a esta Causa e a esta Casa. Agora que contei o que nós vimos, gostamos e degustamos, vou pôr-vos a “imaginar” o que foi preciso fazer e que eu me apercebi: transportar em carrinhas todos os mais de 70 utentes, com talvez umas 15 cadeiras de rodas, transportar cadeiras, mantas para a relva, mesas, “carradas” de doces e salgados, bebidas, fraldas para os mudar nas casas de banho do parque, balões e enfeites nas árvores, a medicação de cada um para dar nos horários certos, tantas coisas mais que estou a esquecer de trazer e outras de quem nem me apercebi. Os condutores fizeram montes de viagens de ida e volta para que não falhasse nada. E falta acrescentar que depois foi preciso fazer os retornos ao Lar dos residentes e a entrega ao domicílio de todos os clientes dos CACI (Centro de Actividades e Capacitação para a Inclusão) cujos familiares não estiveram presentes, recolher os lixos, acondicionar a enorme quantidade de comes e bebes sobrantes, etc. Estão todos de parabéns e esta é a minha forma de lhes agradecer porque para todos eles o dia foi violento em esforço mas nos seus rostos via-se alegria o que diz bem da sua competência e DEDICAÇÃO. 

Mas também estou contente porque como Matosinhense foi neste dia dado o “pontapé de saída” das “Festas da Senhor de Matosinhos” e logo com um cortejo inédito de bonecos. Apesar de todo o incómodo no capítulo da mobilidade que eu sofro por morar junto ao recinto fico feliz pela animação da minha cidade de Horizonte e Mar.

Agora vamos ver outros 10 de Maio. No ano de 1906 nasceu D. António Ferreira Gomes, bispo do Porto, um pilar da diocese do Porto no tempo do Estado Novo como seu grande opositor. E foi em 1913 que nasceu o grande declamador português que a televisão ajudou a catapultar para as primeiras páginas: o actor João Vilarett. Um belo lugre de 4 mastros da nossa Marinha, construído em Portugal, foi lançado ao mar, depois de baptizado  com o nome “Creoula”, em 1937. E já que mencionei o mar em 1937 nasceu em Vila do Conde o Rio Ave Futebol Clube. E é óbvio que ficou célebre a frase proferida, neste dia de 1958 no Café Chave D’Ouro, por Humberto Delgado sobre Salazar: “Obviamente demito-o”. Mas este dia no ano de 1967 fez tombar uma grande “árvore” do nosso teatro que aos 91 anos e depois de 75 anos de atividade nos deixou: Palmira Bastos, a principal personagem de “As Árvores Morrem de Pé”. E em 1972 o grande Zeca Afonso não fez o “caminho de Santiago” mas foi lá em 10 de Maio que cantou pela primeira vez em público a “Grândola Vila Morena”, na terra onde o cantor é um ícone ao ponto de em 2009 o Ayuntamento ter atribuído o seu nome a um parque de lazer.. E a tristeza chegou-nos em 1984, depois de uma trágica queda por causa de um cão dada 10 dias antes, com o anúncio da morte do maior ciclista português de sempre o Joaquim Agostinho. No ano de 1991 chegou a Portugal o S. João Paulo II, enquanto Papa, para mais 4 dias de visita a Portugal.  

E este 10 de Maio foi um dia para estas narrativas e vou deixar-vos uma foto com a maior parte dos trabalhadores da APPACDM da Maia que nos ajudaram a passar uma boa tarde ao ar livre e de coração cheio.