G R A T I D Ã O
É difícil escrever este texto porque não pretendo ser injusto com ninguém e não quero hierarquizar os agradecimentos, embora o primeiro agradecimento seja, dada a minha convicção, “obrigatório”. Este texto não é “lamechas” é fazer justiça.
A abrir a minha maior gratidão vai para AQUELE que manda na minha vida. Posso julgar que tenho poder sobre isto ou sobre aquilo porque os meus olhos e o meu ego assim fazem crer mas tenho de me desiludir e acreditar que ELE decide e eu involuntáriamente cumpro.
Obrigado Senhor pela vida.
Agora sem qualquer ordem, o agradecimento vai para a parte humana do SNS, onde o atendimento e encaminhamento na Saúde 24 foi atencioso e assertivo e na ULSM onde em duas consultas presenciais foi muito bem atendido e sem filas de espera, e na urgência do H.P. Hispano onde passei uma tarde – meio assustado meio tranquilo – onde me diagnosticaram a infecção bacteriana que estava escondida por trás do Covid-19 e finalmente a médica da Saúde Pública da ULSM que ficou encarregada do meu caso e que me telefonou todos os dias incluindo domingos e em boa hora me encaminhou para a urgência do hospital. Não a conheço, nem tenho o seu contacto, mas sei o seu nome: Francisca Amorim (curiosamente o nome da irmã mais velha da minha Mãe). Estou muito grato pelo seu carinho e competência para a função.
Agora também sem qualquer ordem de grandeza. Aos meus filhos que telefonaram diariamente e que tiveram de fazer confinamento porque estiveram comigo no dia em que fiz o teste. E quando saíram da “sua prisão” nos trouxeram ao “santo elevador” compras que precisamos. O meu genro que nos proporcionou entregas em casa da minha Irmã e, principalmente, no Lar da nossa Alexandrina. Amigas que nos trouxeram lambarices e fruta – que não pedimos mas saboreamos – e o conforto do seu apoio e até de telefonemas de conforto. Os fornecedores online ou via telefone e a farmácia que nos fizeram entregas sempre em cima da hora. A minha Irmã a quem contagiei e que, sendo a minha preocupação ao longo do ano, como assintomática esforçou-se por através do telefone me deixar sem sobressaltos. Como veem eu tenho de estar muito agradecido por tudo ter terminado do modo que terminou, mas claro está que não estou distraído e deixei para o fim a Alexandrina e a Odete. E se à Alexandrina estou grato por a ver via tele chamada que está feliz e isso me faz feliz apesar de sentir a falta do seu toque e do seu sussurro ou berro, à Odete, deixo o último capítulo.
O meu primeiro agradecimento foi para ELE e o meu segundo vai também para ELE por me ter mandado um anjo há alguns anos anunciar a existência da Odete. Não foram surpresa nenhuma para mim estes 17 dias de reclusão para os dois, porque a Odete foi igual a si própria.
Não entrou na minha “cela” dia nenhum, mas todos os mimos chegaram e – sem saber o que lhe ia na alma quando estava longe de mim no silêncio – nunca, mas nunca, lhe vi cansaço ou uma expressão menos simpática. Preocupada com horários, com mudanças de roupa, com a qualidade das refeições, com tudo que se pode imaginar. Não parecia a minha esposa mas sim a minha governante. Tudo foi gratuito e de coração. Muito positiva. Isto faz-me lembrar que namoramos 9 anos e casamos há mais de 47 anos com o diamante certo. Portanto a minha gratidão começou por ELE e acaba na Odete e espero ter sido justo e grato com todos os que quiseram ajudar a passar os dias de 12 a 28 de Dezembro. Hoje fui à rua!!!
O B R I G A D O